Entrevistas

Dia Mundial da Asma: “Unir esforços e unificar os consensos nacionais”

12 maio 2022

“Estamos a tentar unir esforços e unificar, a nível nacional, os consensos e as formas de tratar para que todos falem a mesma linguagem e se consiga tratar estes doentes eficazmente.” Quem o afirma é a Dr.ª Ana Mendes, do Centro Hospitalar Lisboa Norte e coordenadora da secção de Asma na Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), no âmbito do Dia Mundial da Asma, que se assinalou a 3 de maio. Assista ao vídeo.

6,8 % da população apresenta esta doença crónica, estimando-se que existam cerca de 700 mil asmáticos, em Portugal, sendo que apenas 5 % desses apresentam sintomas de asma grave. Contudo, a especialista acredita que este número seja um pouco mais elevado, já que existe subdiagnóstico e, consequentemente, subtratamento. “Apesar de ser uma doença crónica, muitas vezes, a asma não é entendida como tal”, partilha, “é vista como uma doença aguda que acompanha o doente ao longo da vida e apenas considerada aquando da apresentação de sintomas e de uma crise”. A Dr.ª Ana Mendes considera que este é o principal desafio — “mudar este paradigma”.

Para isso, a literacia dos profissionais de saúde e da população é o primeiro passo para uma melhor compreensão da asma. A SPAIC já tem um papel pertinente, nesta área. A especialista partilha que, na página da sociedade, já estão incorporadas informações úteis sobre a doença e como encará-la.

Os doentes com asma, nomeadamente a asma grave, representam um grande valor financeiro para a Saúde, tanto pelo consumo de medicamentos e recursos como pelas idas à urgência e internamento hospitalar. A acrescentar, a especialista aborda também os custos indiretos como o absentismo laboral, a perda de rendimento laboral ou escolar.

Neste sentido, “quanto mais precocemente se tratar, menos gastos existem”, já que se consegue controlar a doença com menos recursos a medicação e a recursos hospitalares. Como consequência, os doentes vão ter menos efeitos secundários da medicação extrema e a perda da função pulmonar poderá ser menor.

As terapêuticas biológicas tornaram-se “uma hipótese de tratamento” que surgiu há 12 anos. Atualmente, já são consideradas tanto para a asma alérgica como para a não alérgica, no entanto, esta prática foi evoluindo ao longo dos vários anos. Anteriormente, apenas existia a corticoterapia oral, como a cortisona, para oferecer aos doentes. Contudo, os efeitos secundários a acrescentar à má qualidade de vida que a doença proporciona não favoreciam a situação.

Com estas novas terapêuticas, o fármaco atua ao nível do mecanismo de inflamação, evitando a utilização dos fármacos com piores efeitos secundários. “Isso veio trazer-nos uma nova perspetiva de tratamento para estes doentes e a estes doentes vem trazer uma nova perspetiva de vida.”

Por fim, a especialista partilha uma mensagem final com os seus colegas profissionais de saúde: “Não podemos esquecer que a asma existe e que é uma doença crónica, com uma medicação diária e que este doente precisa de uma abordagem multidisciplinar.”

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