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	<title>Arquivo de Opinião - My Pneumologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica pneumológica e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças respiratórias</description>
	<lastBuildDate>Thu, 16 Jul 2026 15:16:27 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - My Pneumologia</title>
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	<item>
		<title>Radioterapia cerebral no CPPC</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/radioterapia-cerebral-no-cppc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 10:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A abordagem da doença cerebral no carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC) encontra-se num ponto de viragem. Num artigo de opinião, Miriam Abdulrehman, especialista no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, destacou a evolução das estratégias terapêuticas neste contexto, marcada pela transição para abordagens mais personalizadas, com foco no controlo da doença, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A abordagem da doença cerebral no carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC) encontra-se num ponto de viragem. Num artigo de opinião, <strong>Miriam Abdulrehman</strong>, especialista no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, destacou a evolução das estratégias terapêuticas neste contexto, marcada pela transição para abordagens mais personalizadas, com foco no controlo da doença, preservação cognitiva e qualidade de vida dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento do CPPC enfrenta hoje um dos momentos mais dinâmicos da sua história recente, particularmente no que diz respeito à abordagem da doença cerebral. Sendo uma neoplasia de origem neuroendócrina caracterizada por uma agressividade intrínseca e proliferação célere, o CPPC apresenta propensão para a disseminação metastática precoce. Embora apenas 10% a 15% dos doentes apresentem metástases cerebrais ao diagnóstico, estima-se que até 80% venham a desenvolvê-las durante o curso da doença. Esta realidade é agravada pela barreira hematoencefálica, que funciona como um “santuário” farmacológico, impedindo que as quimioterapias sistémicas convencionais atinjam concentrações citotóxicas eficazes no parênquima cerebral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante décadas, o dogma terapêutico assentou na irradiação craniana profilática (PCI) e na irradiação holocraniana (WBRT). O objetivo era a erradicação de micrometástases indetetáveis, mas o custo clínico revelou-se elevado. O ensaio RTOG 0212 expôs a fragilidade desta abordagem ao demonstrar que a PCI causava declínio neurocognitivo substancial e irreversível em mais de 60% dos doentes no prazo de um ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta evidência, aliada ao advento da vigilância apertada por Ressonância Magnética (RM), forçou uma mudança: no estadio extenso, a observação ativa é hoje preferível à PCI sistemática. No estadio limitado, a segurança da omissão da PCI está a ser rigorosamente testada nos ensaios prospetivos MAVERICK e PRIMALung, que prometem redefinir as <em>guidelines</em> internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na doença metastática estabelecida, a radiocirurgia estereotáxica (SRS) quebrou a sua exclusão histórica no CPPC. O receio de falências cerebrais difusas rápidas deu lugar à evidência de estudos como o FIRE-SCLC e o ensaio de Aizer, que validaram a SRS como opção viável de primeira linha. A SRS não só oferece uma sobrevivência global comparável à WBRT, como garante uma preservação cognitiva superior, reduzindo o risco de mortalidade neurodegenerativa. Dados pragmáticos indicam que o uso de SRS poupa cerca de 80% dos doentes de virem a necessitar de irradiação holocraniana de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, nos casos em que a irradiação total do cérebro é considerada inevitável, a estratégia de poupança do hipocampo (HA-WBRT) associada à memantina tem surgido como uma opção recomendada para mitigar a toxicidade. É fundamental notar que, ao contrário do que acontece noutros tumores sólidos, esta indicação no CPPC constitui atualmente uma extrapolação clínica do ensaio NRG-CC001. Não existe ainda evidência de nível 1 exclusiva para CPPC neste cenário, e a agressividade biológica deste tumor exige cautela, dado o risco de recidiva na região peri-hipocampal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O esclarecimento definitivo chegará com o ensaio de Fase III NRG-CC009, que confronta diretamente a precisão da SRS com a técnica de HA-WBRT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, assistimos ao fim da era da irradiação holocraniana sistemática. A proteção da função cognitiva e a manutenção da qualidade de vida do doente elevaram-se a novos patamares de prioridade clínica, transformando a neuroproteção no verdadeiro <em>gold standard</em> da radio-oncologia moderna aplicada ao CPPC.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este artigo foi publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026.&nbsp;</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Desafios do tratamento local na doença oligometastática</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/desafios-do-tratamento-local-na-doenca-oligometastatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 08:43:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos Encontros da Primavera 2026, Catarina Travancinha, especialista das unidades hospitalares CUF Tejo e CUF Descobertas, analisou a evidência clínica disponível sobre o papel do tratamento local na doença oligometastática, nomeadamente através da radioterapia estereotáxica (SBRT), e os desafios associados à seleção dos doentes que mais podem beneficiar desta abordagem. Leia o artigo de opinião.  [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Nos Encontros da Primavera 2026,<strong> Catarina Travancinha</strong>, especialista das unidades hospitalares CUF Tejo e CUF Descobertas, analisou a evidência clínica disponível sobre o papel do tratamento local na doença oligometastática, nomeadamente através da radioterapia estereotáxica (SBRT), e os desafios associados à seleção dos doentes que mais podem beneficiar desta abordagem. Leia o artigo de opinião. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A doença oligometastática no cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) representa um estadio intermédio entre doença localizada e disseminada, caracterizado por uma carga tumoral limitada e potencialmente tratável com intenção ablativa. A melhoria da sobrevivência associada às terapêuticas sistémicas modernas, incluindo imunoterapia e terapias alvo, aumentou a relevância clínica deste estado biológico, criando uma oportunidade para integração de abordagens locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A radioterapia estereotáxica (SBRT) emergiu como uma técnica eficaz e segura, permitindo tratar múltiplos focos metastáticos com elevada precisão e baixa toxicidade, reforçando o seu papel no tratamento multidisciplinar destes doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência disponível, maioritariamente de ensaios fase II, como os estudos de Gómez e Iyengar, demonstra que o tratamento local consolidativo pode melhorar a sobrevivência livre de progressão e, em alguns casos, a sobrevivência global em doentes selecionados com doença oligometastática ou oligopersistente após resposta à terapêutica sistémica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na oligoprogressão, ensaios mais recentes como o CURB e o STOP suportam o papel da SBRT na erradicação de clones resistentes, permitindo manter terapêuticas sistémicas eficazes e atrasar a necessidade de mudança de linha terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na era da imunoterapia, os resultados são mais heterogéneos, com estudos como o NRG-LU002 a não demonstrarem benefício estatisticamente significativo da consolidação local, maioritariamente pelo aumento da toxicidade, mas mostrando, no entanto, uma tendência para melhoria do controlo local e aumento do tempo até à recidiva. Neste contexto, fica demonstrado que a seleção de doentes e o timing da intervenção são determinantes críticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos doentes com mutações <em>driver</em>, particularmente EGFR, a integração de SBRT com terapêutica alvo demonstra resultados promissores, com estudos fase II e III a sugerirem prolongamento do controlo da doença com tratamento local das lesões residuais ou progressivas. Para outras alterações moleculares, como ALK, ROS1 e KRAS, a evidência permanece limitada, baseando-se sobretudo em dados retrospetivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o principal desafio atual reside na identificação dos doentes que mais beneficiam desta abordagem, considerando a carga tumoral, a biologia da doença, a resposta sistémica e a viabilidade técnica. A decisão deve ser sempre multidisciplinar, com o objetivo de maximizar o benefício clínico, preservar opções terapêuticas futuras e minimizar a toxicidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este artigo foi publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026</em><em>.</em><em>&nbsp;</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sejamos pragmáticos: continuamos sem avançar na prevenção do tabagismo em Portugal</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/sejamos-pragmaticos-continuamos-sem-avancar-na-prevencao-do-tabagismo-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 08:38:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sofia Belo Ravara, médica pneumologista na Unidade Local de Saúde da Cova da Beira e professora de Medicina Preventiva na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, escreve um artigo de opinião a propósito da nova medida do Governo português que destina uma parte da receita do imposto sobre o tabaco ao [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sofia Belo Ravara</strong>, médica pneumologista na Unidade Local de Saúde da Cova da Beira e professora de Medicina Preventiva na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, escreve um artigo de opinião a propósito da nova medida do Governo português que destina uma parte da receita do imposto sobre o tabaco ao financiamento de políticas de prevenção e controlo do tabagismo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aumentar os impostos sobre o tabaco, o álcool e as bebidas açucaradas é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o peso das doenças crónicas e reforçar o financiamento dos sistemas de saúde. Recentemente, a OMS incentivou os governos a agirem neste âmbito, lançando a Campanha &#8220;3 por 35&#8221;, que tem como objetivo aumentar os impostos sobre o tabaco, o álcool e as bebidas açucaradas até 2035.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma tributação elevada e aplicada transversalmente a todos os tipos de bebidas alcoólicas e açucaradas, e dispositivos de tabaco e nicotina, ajustada anualmente à taxa de inflação, reduz a acessibilidade a estes produtos, ao mesmo tempo que gera receitas públicas adicionais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do apelo da OMS, Portugal não tem procedido a um ajuste adequado dos impostos sobre as bebidas alcoólicas e açucaradas, e os produtos de tabaco e nicotina, face à inflação, tornando a respetiva carga fiscal mais suportável ao longo do tempo e diluindo o efeito sobre a redução do consumo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos dois anos, os impostos sobre os produtos de tabaco e álcool nem sequer foram aumentados. Por outro lado, esta situação faz com que o Estado tenha menos receitas para aplicar na prevenção de doenças crónicas e no fortalecimento dos sistemas de saúde. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Inesperadamente, o Governo português anunciou que vai destinar 2% das receitas fiscais dos produtos de tabaco a programas de prevenção e controlo do tabagismo e de doenças crónicas não transmissíveis. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Estas verbas visam financiar sobretudo a promoção da Saúde Oral e a cessação tabágica; rastreios de Saúde Oral e do cancro do pulmão; bem como apoiar os programas da DGS de prevenção e controlo das doenças crónicas não transmissíveis em que o tabaco é um fator causal transversal: doenças oncológicas, respiratórias e cardiovasculares. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora seja uma boa medida, permitindo fortalecer as respostas do sistema de saúde à esmagadora carga de doença atribuída ao tabaco, é redutora e desenraizada de uma verdadeira política pública preventiva. Será crucial reativar a implementação das medidas de controlo de tabaco e de regulação das atividades da indústria preconizadas na Convenção-Quadro de controlo de tabagismo da OMS que Portugal ratificou em 2007. Sem estas medidas, que incluem o aumento da taxação dos produtos de tabaco e nicotina, campanhas populacionais contrariando as táticas da indústria e educando sobre a toxicidade e o potencial aditivo dos produtos emergentes de tabaco e nicotina; acesso abrangente a programas de cessação tabágica nos serviços de saúde e na comunidade, forte regulação com vista a eliminar o <em>marketing</em>, a promoção e a publicidade dos produtos de tabaco e nicotina, bem como as atividades corporativas e de responsabilidade social da indústria; o impacto na redução do consumo e da morbilidade e mortalidade associadas ao tabaco será residual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alocação de verbas aos programas de rastreio e tratamento, isoladamente e sem ação intersectorial de controlo de tabagismo, não passará de uma medida paliativa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a OMS, é prioritário regular fortemente as atividades da indústria dos produtos de tabaco e nicotina: não faz sentido atuar nas consequências sem travar a causa; gasta-se muito e consegue-se pouco. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por agora, assistimos a um <em>marketing </em>desenfreado nas redes sociais&nbsp;e&nbsp;nas ruas das nossas cidades, à vista de todos e sobretudo de crianças, adolescentes, e jovens adultos, exibindo cartazes gigantes a publicitar novos produtos de nicotina oral como se fossem produtos de consumo inócuos. E mais, contrariando a proibição do INFARMED de os comercializar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sejamos pragmáticos: sem uma taxação dissuasora e o fim efetivo do <em>marketing </em>e das atividades de &#8220;responsabilidade social&#8221; da indústria do tabaco e nicotina, a redução da mortalidade e morbilidade atribuídas ao tabaco será meramente ilusória e o financiamento dos rastreios e tratamentos não passará de uma “maquilhagem” de cuidados paliativos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Carcinoma do pulmão de pequenas células</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/carcinoma-do-pulmao-de-pequenas-celulas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 09:55:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No seu artigo, Inês Brandão Rego, médica de Oncologia Médica da ULS São João e do Hospital Lusíadas Porto, analisa os avanços que marcaram 2025 no tratamento do carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC), uma doença que durante décadas registou progressos terapêuticos limitados. A partir de dados apresentados nos principais congressos internacionais, a autora [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No seu artigo, <strong>Inês Brandão Rego</strong>, médica de Oncologia Médica da ULS São João e do Hospital Lusíadas Porto, analisa os avanços que marcaram 2025 no tratamento do carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC), uma doença que durante décadas registou progressos terapêuticos limitados. A partir de dados apresentados nos principais congressos internacionais, a autora destaca três mensagens-chave que poderão redefinir a prática clínica: novas estratégias de consolidação na doença em estádio precoce, abordagens de manutenção eficazes no estádio avançado e o surgimento de terapêuticas inovadoras na recorrência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, o tratamento do carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC) viveu um dos principais avanços dos últimos 40 anos. De realçar três mensagens-chave apresentadas nos principais congressos internacionais, novidades na estratégia de consolidação no estadio precoce, estratégia de manutenção eficaz no estadio avançado e uma nova referência na recorrência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No CPPC estadio precoce, a consolidação com durvalumab após quimiorradioterapia baseada em platino (ADRIATIC trial) consolidou-se como o standard-of-care, com benefício significativo em sobrevivência global e livre de progressão que levou a aprovação pela EMA em 2025. No estadio avançado, o ensaio IMforte mostrou, pela primeira vez, que uma estratégia de manutenção em associação melhora os resultados. Lurbinectedina + atezolizumab em manutenção após indução com atezolizumab/carboplatino/etoposideo reduziu o tempo para a progressão (SLP 5,4 vs. 2,1 meses) e melhorou a sobrevivência global (SG 13,2 vs. 10,6 meses). Se aprovado e financiado, este regime poderá redefinir a sequência terapêutica e aumentar a proporção de doentes elegíveis para tratamentos de segunda linha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na recorrência, o destaque foi o ensaio DeLLphi-304 onde o BiTE anti-DLL3 tarlatamab superou quimioterapia standard, prolongando a SG (13,6 vs. 8,3 meses; HR 0,60). O preço a pagar é um novo perfil toxicidades, que apesar de muito conhecidas na Hematologia são recentes nas terapêuticas aprovadas para tumores sólidos. Falo do Síndrome de libertação de citocinas (CRS) e de neurotoxicidade aguda (ICANS).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambos exigem equipas treinadas, com protocolos de step-up dosing implementados, articulação logística de admissão em internamento para monitorização nas primeiras administrações e vias rápidas para utilização de medicação de suporte como o tocilizumab.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito da ciência básica também obtivemos sinais preliminares de resultados futuros animadores. A biologia do CPPC é marcada por heterogeneidade e plasticidade (subtipos transcricionais como ASCL1/ /NEUROD1/POU2F3/YAP1), abrindo portas a terapêuticas dirigidas por biomarcador (ex.: DLL3) e vias de reparação de DNA/replicação. Na ESMO 2025, combinações na 1.ª linha com tarlatamab em adição a quimioimunoterapia (DeLLphi-303) mostraram taxas de resposta relevantes (ORR ~71%) e SLP preliminar promissora, alimentando a expectativa de trazer este tipo de combinações para fases mais iniciais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mundo dos ADC surgem vários resultados promissores de que eventualmente também poderão vir a ter um lugar no tratamento do CPPC em monoterapia ou associação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, 2025 deixou de ser mais do mesmo no CPPC como já prometia 2024. As estratégias de consolidação no estadio limitado, a emergência de manutenção na primeira linha e fármacos eficazes na recorrência direcionadas ao DLL3 apontam para uma prática clínica mais prolongadora de controlo, mas também mais exigente em organização e acesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Artigo originalmente publicado no Jornal das XIV Perspectivas em Oncologia.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Atualizações no tratamento da tuberculose</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/atualizacoes-no-tratamento-da-tuberculose/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 12:02:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num contexto de crescentes desafios na prestação de cuidados respiratórios, torna-se essencial refletir de forma crítica sobre a prática clínica, a organização dos serviços e as políticas de saúde que impactam diretamente os doentes. Neste artigo de opinião, Luís Coelho, pneumologista da Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria, partilha a sua perspetiva, lançando [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Num contexto de crescentes desafios na prestação de cuidados respiratórios, torna-se essencial refletir de forma crítica sobre a prática clínica, a organização dos serviços e as políticas de saúde que impactam diretamente os doentes. Neste artigo de opinião, <strong>Luís Coelho</strong>, pneumologista da Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria, partilha a sua perspetiva, lançando pistas para a reflexão sobre o tratamento da tuberculose. Leia o artigo.<br><br>A tuberculose, apesar de ser uma infeção passível de cura e prevenção, permanece como sendo uma das principais causas de morte por doença infecciosa. Em 2023 atribuíram-se a esta infeção aproximadamente 10,8 milhões de novos casos e cerca de 1,25 milhões de mortes. Destes, aproximadamente 410 000 casos foram de tuberculose multirresistente, e apesar de constituírem apenas aproximadamente 5% do total, a sua mortalidade é substancialmente maior, contribuindo para cerca de 10-20% da mortalidade global pela tuberculose.<br><br>Tradicionalmente, a tuberculose sensível aos fármacos tem sido tratada com um esquema padrão de seis meses, combinando isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol na fase intensiva, seguido de isoniazida e rifampicina na fase de manutenção. Contudo, evidências recentes têm demonstrado a possibilidade de esquemas mais curtos podem ser adequados no tratamento da tuberculose doença. Um estudo recente demonstrou a não inferioridade de um regime de quatro meses baseado em rifapentina e moxif loxacina, associadas a isoniazida e pirazinamida abrindo caminho para a redução da duração terapêutica na tuberculose doença ativa.<br><br>Na tuberculose multirresistente, as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) consolidaram esquemas totalmente orais, centrados em fármacos do designados do Grupo A (bedaquilina, fluoroquinolonas e linezolida). A bedaquilina, a linezolida e a pretomanida integram o regime BPaL (bedaquilina, pretomanida e linezolida) que permitiu a reduzir o tempo de tratamento para seis meses, em contrapartida aos esquemas anteriores que obrigavam a um tempo de tratamento habitualmente superior a 15 meses. Ensaios clínicos como Nix-TB e ZeNix demonstraram taxas de sucesso superiores a 85%, com redução significativa da duração do tratamento para seis meses, e o estudo TB PRACTECAL confirmou a eficácia de esquemas curtos e assim como menor toxicidade associada.<br><br>O tratamento da infeção latente por mycobacterium tuberculosis foi igualmente otimizado com regimes curtos, como 3HP (isoniazida + rifapentina semanal por três meses), 4R (rifampicina por quatro meses) e 1HP (isoniazida + rifapentina por um mês), melhorando a adesão e o impacto na Saúde Pública.<br><br>Em resumo, as novas opções terapêuticas refletem a necessidade premente de esquemas de tratamento mais curtos, exclusivamente por via oral e com menos efeitos adversos, para obter uma melhor adesão, maior tolerância ao tratamento e maior taxa de sucesso reduzindo significativamente a taxa de mortalidade associada à tuberculose.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo foi originalmente publicado no <a href="https://publicacoes.newsfarma.pt/2026/01/29/15-as-jornadas-de-atualizacao-em-doencas-infeciosas-do-hospital-de-curry-cabral-uls-sao-jose-no-1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jornal do Congresso das 15<sup>as</sup> Jornadas de Atualização em Doenças Infeciosas do Hospital de Curry Cabral &#8211; ULS São José, n.º 1</a>. </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um passo decisivo na imunização contra o VSR que exige vigilância epidemiológica contínua</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/um-passo-decisivo-na-imunizacao-contra-o-vsr-que-exige-vigilancia-epidemiologica-continua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 10:06:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mypneumologia.pt/?p=10188</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vânia Gaio, colaboradora do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e autora do primeiro estudo a avaliar a efetividade da imunização recentemente introduzida contra o VSR em Portugal, no texto que assina, partilha a sua visão sobre  a relevância dos resultados obtidos e reforça a importância da vigilância contínua para [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vânia Gaio</strong>, colaboradora do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e autora do primeiro estudo a avaliar a efetividade da imunização recentemente introduzida contra o VSR em Portugal, no texto que assina, partilha a sua visão sobre  a relevância dos resultados obtidos e reforça a importância da vigilância contínua para o futuro. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vírus sincicial respiratório (VSR) é reconhecidamente um dos principais agentes etiológicos de infeções do trato respiratório inferior em crianças, com particular impacto nos primeiros meses de vida. Todos os anos, este vírus é responsável por uma carga substancial de doença, por uma pressão significativa sobre os serviços de saúde e, sobretudo, por elevado sofrimento para as crianças e suas famílias. Neste contexto, a disponibilização de uma estratégia de prevenção efetiva, como a imunização com nirsevimab, introduzida em Portugal na época 2024/2025, representa um passo decisivo em termos de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, tive a oportunidade de integrar a equipa responsável pelo primeiro estudo a avaliar a efetividade deste anticorpo monoclonal na prevenção de hospitalizações por VSR em crianças com menos de 24 meses em Portugal. Este trabalho, publicado na revista científica internacional Influenza and Other Respiratory Viruses, demonstrou que a imunização foi altamente eficaz, reduzindo em cerca de 80% o risco de hospitalização por VSR. Observou-se igualmente uma diminuição da proporção de casos graves, definidos como crianças internadas em unidades de cuidados intensivos ou necessitando de ventilação, em comparação com a época anterior. Estes resultados confirmam o elevado potencial desta intervenção para reduzir hospitalizações e mitigar a gravidade da doença numa população particularmente vulnerável. Importa salientar que este estudo só foi possível graças à criação, em 2021, da Rede de Vigilância do Vírus Sincicial Respiratório (VigiRSV), promovida pelo INSA em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Pediatria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, a rede integra a participação ativa de 15 hospitais, cujas equipas de pediatria e de patologia clínica colaboram na notificação dos casos de infeção respiratória aguda nesta faixa etária, o que permite a produção de dados robustos, consistentes e representativos a nível nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos resultados francamente encorajadores, na minha opinião, é essencial otimizar a cobertura da imunização. Embora a imunização com nirsevimab apresente elevada efetividade, o seu impacto populacional depende da capacidade de garantir que chega a todas as crianças elegíveis, em particular às mais vulneráveis. Para tal, é fundamental investir numa organização logística eficiente, numa articulação eficaz entre os diferentes níveis de cuidados de saúde e numa comunicação clara dirigida aos profissionais de saúde e às famílias. Os profissionais de saúde desempenham aqui um papel crucial, sobretudo na identificação e acompanhamento de crianças de risco já nascidas, que são frequentemente mais difíceis de captar do que os recém-nascidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, é imprescindível assegurar a monitorização contínua da efetividade da imunização ao longo do tempo. A introdução de uma intervenção preventiva em larga escala levanta questões legítimas, nomeadamente a possibilidade de alterações genéticas do vírus sob pressão seletiva, bem como eventuais mudanças nos padrões de circulação de outros vírus respiratórios nesta faixa etária. A vigilância epidemiológica contínua deve, por isso, ser encarada como um pilar essencial da estratégia de prevenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Futuramente, para além dos estudos de efetividade, serão necessários estudos de impacto que avaliem os benefícios globais da imunização, incluindo a redução da pressão sobre os serviços hospitalares e dos custos associados aos cuidados de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes dados serão fundamentais para avaliar a pertinência de um eventual alargamento da imunização a todas as crianças, pelo menos nos primeiros anos de vida. Será, ainda, muito importante estudar os fatores associados à adesão ao nirsevimab, de modo a identificar barreiras e contribuir para a otimização das campanhas de imunização. Em paralelo, a eventual implementação de estratégias complementares, como a imunização universal da grávida, já adotada noutros países, merece uma reflexão cuidada e sustentada no contexto nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conclusão, a introdução do nirsevimab marca o início de um novo capítulo na prevenção da infeção por VSR em Portugal. No entanto, a consolidação deste avanço em saúde pública dependerá da capacidade de garantir uma cobertura ampla e equitativa, aliada a uma vigilância epidemiológica contínua e robusta. Só assim será possível reduzir hospitalizações, proteger as crianças e assegurar benefícios duradouros para a saúde pública em Portugal.</p>
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		<title>O fumo passivo não é inofensivo: o que o sangue e as células revelam</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/o-fumo-passivo-nao-e-inofensivo-o-que-o-sangue-e-as-celulas-revelam/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 10:17:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num contexto em que o fumo passivo continua a ser muitas vezes desvalorizado, apesar das evidências científicas sobre os seus riscos, as investigadoras Sofia Neves e Deborah Penque, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, trazem uma perspetiva baseada na ciência biomolecular. Neste artigo de opinião, as autoras abordam os efeitos reais da exposição [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Num contexto em que o fumo passivo continua a ser muitas vezes desvalorizado, apesar das evidências científicas sobre os seus riscos, as investigadoras <strong>Sofia Neves</strong> e <strong>Deborah Penque</strong>, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, trazem uma perspetiva baseada na ciência biomolecular. Neste artigo de opinião, as autoras abordam os efeitos reais da exposição ao fumo ambiental do tabaco em não fumadores.<br><br>O fumo ambiental do tabaco, frequentemente designado por fumo passivo, corresponde à combinação do fumo libertado pela queima do cigarro e do fumo exalado pelos fumadores para o meio ambiente. Trata-se de uma mistura complexa de substâncias tóxicas e carcinogénicas, constituindo um poluente ambiental particularmente perigoso, quando concentrado em espaços interiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um nível de exposição ao fumo passivo considerado isento de risco. Na União Europeia, incluindo Portugal, apesar dos avanços legislativos, continuam a existir contextos sociais onde a exposição persiste, como é o caso do espaço interior do automóvel e o ambiente doméstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos epidemiológicos longitudinais em não-fumadores demonstram que a exposição prolongada ao fumo passivo está associada a doenças graves e frequentemente fatais, incluindo doença coronária, acidente vascular cerebral, cancro do pulmão, cancro da mama, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), asma e diabetes. A nível global, estima-se que cerca de 1,5 milhões de não fumadores morram anualmente devido à exposição ao fumo passivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar deste impacto, os mecanismos moleculares que ligam a exposição ao fumo passivo ao desenvolvimento destas patologias permanecem, ainda hoje, pouco compreendidos. Esta lacuna reforça a necessidade de identificar moléculas envolvidas nesses processos e de definir biomarcadores que permitam avaliar, o risco associado à exposição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É neste contexto que a proteómica — a ciência que estuda, em larga escala, as proteínas de uma célula, tecido ou organismo, num dado momento e condição — se torna uma ferramenta particularmente útil. Ao caracterizar alterações no conjunto de proteínas (o proteoma), a proteómica pode ajudar a identificar assinaturas biológicas associadas à exposição ao fumo passivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Laboratório de Proteómica do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), temos vindo a aplicar esta abordagem com esse propósito. Recentemente, publicámos dois trabalhos nos quais identificámos conjuntos de proteínas associados à exposição prolongada ao fumo passivo: no plasma de sangue venoso e em células da mucosa nasal de indivíduos não fumadores saudáveis. As amostras foram recolhidas em trabalhadores do setor da restauração que se voluntariaram para participar no estudo, num período em que a legislação portuguesa permitia fumar nestes estabelecimentos, desde que cumpridas determinadas condições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os nossos resultados mostram que, tanto no plasma como nas células nasais, o proteoma dos indivíduos expostos apresenta alterações consistentes quando comparado com o de indivíduos controlo (não fumadores e não expostos). Em particular, observámos modulações na abundância de proteínas envolvidas na resposta fisiológica a substâncias tóxicas circulantes, bem como alterações em proteínas do sistema imunitário, essenciais para a remoção de células danificadas e para a prevenção de respostas autoimunes. Adicionalmente, foram observadas alterações em proteínas relacionadas com uma resposta pró-aterosclerótica e pró-trombótica, oferecendo novas perspetivas sobre vias biológicas que podem sustentar a associação entre exposição ao fumo passivo prolongado e aumento do risco cardiovascular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes dados sustentam, ainda, a proposta de um painel de proteínas candidatas a biomarcadores, com potencial para contribuir para a avaliação do risco inerente à exposição ao fumo passivo — uma necessidade particularmente relevante em contextos onde a exposição não é facilmente quantificável, é intermitente, ou ocorre fora de ambientes formalmente monitorizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a legislação atual tenha vindo a reforçar a proteção em ambientes ocupacionais, a realidade é que muitos indivíduos, incluindo crianças e idosos, continuam expostos ao fumo passivo, seja em espaços semiabertos (como esplanadas) e locais públicos, mas sobretudo no ambiente doméstico, em contexto familiar, onde a exposição tende a ser repetida e prolongada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista da saúde pública, o nosso trabalho reforça a necessidade de manter e desenvolver políticas mais abrangentes de proteção dos não-fumadores face à exposição ao fumo passivo e, adicionalmente, a urgência de uma maior sensibilização social para os perigos reais do fumo ambiental do tabaco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências (trabalhos publicados):</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41207518/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Neves et al., Environ Toxicol Pharmacol. 2025 Dec;120:104864</a></li>



<li><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38685369/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Neves et al., Environ Toxicol Pharmacol. 2024 Jun;108:10445</a>&nbsp;</li>
</ul>
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		<title>Insuficiência respiratória: reconhecer para melhor tratar</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/insuficiencia-respiratoria-reconhecer-para-melhor-tratar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2025 10:38:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A convite da News Farma, a pneumologista da ULS de Coimbra, Cidália Rodrigues, partilhou alguns comentários relacionados com a temática da insuficiência respiratória, uma das áreas em que intervém clinicamente. Para melhor conhecer esta patologia torna-se necessário reconhecer a doença, bem como utilizar as melhores estratégias terapêuticas para que, em equipa, as diversas especialidades envolvidas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A convite da News Farma, a pneumologista da ULS de Coimbra, Cidália Rodrigues, partilhou alguns comentários relacionados com a temática da insuficiência respiratória, uma das áreas em que intervém clinicamente. Para melhor conhecer esta patologia torna-se necessário reconhecer a doença, bem como utilizar as melhores estratégias terapêuticas para que, em equipa, as diversas especialidades envolvidas possam beneficiar o doente que apresenta esta síndrome grave.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma | (NF)</strong>:<strong> Quais os principais sintomas e fatores de risco da insuficiência respiratória?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cidália Rodrigues | CR</strong>: A insuficiência respiratória caracteriza-se por incapacidade do sistema respiratório de manter níveis adequados de oxigenação ou eliminação do dióxido de carbono. Pode ser aguda ou crónica, e hipoxémica e/ou hipercápnica. Os sinais e sintomas mais frequentes são a dispneia, os sinais de dificuldade respiratória (taquipneia, polipneia, uso de músculos acessórios, etc.), a cianose, a taquicardia, a hipersudorese, as cefaleias, mas de acordo com a gravidade podem ainda surgir agitação, ansiedade, confusão, sonolência, convulsões e coma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fatores de risco e causas da insuficiência respiratória incluem múltiplas patologias do foro respiratório (doenças das vias aéreas como asma e DPOC, doenças do parênquima pulmonar), mas também doenças neuromusculares, alterações vasculares pulmonares, obesidade, alterações da parede torácica e do controlo da ventilação (doenças metabólicas, fármacos, doença do SNC, hipoventilação alveolar primária).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF:</strong> <strong>Quais evidências recentes mudaram sua prática na escolha entre oxigenoterapia convencional, alto fluxo e VNI?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CR</strong>: Todas são consideradas estratégias terapêuticas para tratamento da insuficiência respiratória; a adequada seleção terapêutica deve considerar a etiologia da insuficiência respiratória, a gravidade, o local de tratamento, a experiência da equipa, a evidência científica existente e também a preferência do doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A VNI continua a ser a estratégia terapêutica de 1º linha na exacerbação aguda da DPOC com hipercapnia e acidose respiratória, mas em doentes que não tolerem/recusem a VNI e não apresentem hipercapnia grave poderá considerar-se ONAF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas doenças crónicas com hipercapnia persistente, considerar a VNI domiciliaria. Para prevenir a insuficiência respiratória pós-extubação em doentes de alto risco (idosos, com doença respiratória ou cardíaca), a VNI é preferível, contudo, o ONAF não mostrou inferioridade neste grupo (depende do risco e da tolerância). Na insuficiência respiratória hipoxemia, moderada a grave, sem hipercapnia, o ONAF tem tipo crescente de utilização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF</strong>: <strong>Quais fatores clínicos e gasométricos consideram mais preditivos de mortalidade nesses pacientes?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CR: O maior preditivo de mortalidade é a ausência de resposta às primeiras 2h após o início da terapêutica. No entanto, vários fatores clínicos e gasométricos foram validados como preditivos de insucesso e maior mortalidade. Do ponto de vista clínico a idade avançada, Index de comorbilidades elevado, baixa performance status e fragilidade, baixo nível de consciência, esforço respiratório persistente com uso de músculos acessórios</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista gasométrico: hipoxemia refratária (pO2/FiO2 &lt; 100-150), acidose respiratória persistente, hipercapnia não reversível, lactatos elevados</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF</strong>: <strong>Como avalia o papel das equipes multidisciplinares (fisioterapia, enfermagem, terapia ocupacional) no prognóstico?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CR</strong>: O prognostico dos doentes com insuficiência respiratória não depende apenas da gravidade da insuficiência respiratória e resposta à modalidade de suporte respiratório, mas também de todo o apoio de uma equipa muldisciciplinar na sua constituição, que devem incluir fisioterapia, cuidados de enfermagem, apoio nutricional, entre outros</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programas estruturados de cuidados multidisciplinares na insuficiência respiratória são determinantes na redução da mortalidade e das readmissões hospitalares e melhoria do prognóstico funcional e qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização das equipas e a intervenção de cada um dos profissionais devem ser centradas no doente, com planos individualizados, com uma prática de cuidados interdisciplinares, ou seja, de cuidados integrados e complementares.</p>
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		<item>
		<title>Existe uma silly season para o cancro do pulmão?</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/existe-uma-silly-season-para-o-cancro-do-pulmao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 10:08:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como alerta Marcos Pantarotto, médico oncologista da Fundação Champalimaud, como “imperativo ético e científico: o cancro do pulmão não tira férias”. Devido à progressão rápida destes tumores, o especialista destaca a importância de um diagnóstico e tratamento ágeis, especialmente durante o período estival. Nota ainda para as recomendações dirigidas aos doentes oncológicos durante o verão, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Como alerta Marcos Pantarotto, médico oncologista da Fundação Champalimaud, como “imperativo ético e científico: o cancro do pulmão não tira férias”. Devido à progressão rápida destes tumores, o especialista destaca a importância de um diagnóstico e tratamento ágeis, especialmente durante o período estival. Nota ainda para as recomendações dirigidas aos doentes oncológicos durante o verão, enfatizando cautela com a exposição solar devido aos tratamentos (radioterapia e quimioterapia) que aumentam o risco de queimaduras, entre outros destaques científicos. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cancro do pulmão (CP) caracteriza-se pela sua elevada agressividade e rápida progressão. Mesmo com importantes avanços no diagnóstico precoce, no tratamento da doença localmente avançada, e principalmente no tratamento da doença metastática, a sobrevivência aos 5 anos aumentou de escassos 15% para aproximadamente 20%<sup>1</sup>. Um ganho significativo, mas ainda pequeno quando sabemos que o CP é a terceira neoplasia mais diagnosticada em homens e mulheres, separadamente, e o maior responsável por anos de vida perdidos por cancro – em Portugal e no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais da metade dos novos casos correspondem a doença metastática, e a marcha diagnóstica exige a concertação de múltiplos meios de diagnóstico e tempo para a sua execução. Desde a consulta inicial à realização dos meios complementares de diagnóstico necessários, tomografias computorizadas (TC), PETs, biopsias e estudos moleculares, consultas de especialidade e reuniões multidisciplinares, é fundamental a atenção à implementação de estratégias de tratamento personalizadas e temporalmente otimizadas.<br>José Saramago nos remete à reflexão quando diz “não tenhamos pressa, mas não percamos tempo” (in A Caverna, Porto Editora). Nestas férias de verão, quando o tempo parece escorrer por entre os dedos de quem espera por uma resposta sobre o seu diagnóstico, prognóstico e tratamento, o CP progride de acordo com as suas próprias leis e tempos, independentemente dos calendários sociais ou das limitações dos nossos sistemas de saúde. Esta continuidade biológica impõe desafios significativos, particularmente durante períodos de reduzida atividade assistencial, como férias e feriados prolongados ou emergências sanitárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A medida do tempo certo</strong><br>O tempo de duplicação do CP é variável. Estudos sugerem intervalos que vão desde os 73 dias, para tumores de células pequenas, até 223 dias para tumores de células não-pequenas.<sup>2</sup> Como agravantes, o tempo entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico do CP atinge até 570 dias, e desde a primeira consulta com um oncologista até ao diagnóstico, de até 72 dias.<sup>3</sup><br>Em meio à agressividade da doença e às dificuldades práticas do diagnóstico e estadiamento, importa referir que a demora para o início do tratamento parece implicar em pior prognóstico. Uma análise retrospectiva de 130.597 doentes com NSCLC sugere, para doentes com CP em estádio I, que tempos mais curtos para o início do tratamento traduzem melhoria no prognóstico aos 65 anos.<sup>4</sup> Análise retrospectiva da base de dados SEER corrobora esse achado, sugerindo que um tempo para início do tratamento superior a 31 dias tem impacto negativo na sobrevivência dos doentes com cancro do pulmão em estádio I.<sup>5</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da terapêutica dirigida, dados de vida real corroboram a preocupação com o tempo para o início do tratamento. Em um estudo sobre o início da terapêutica preferida para 3250 doentes com CP metastático e mutação EGFR ou rearranjo ALK, um tempo inferior a um mês desde o diagnóstico até ao início da terapêutica revelou-se um importante factor prognóstico para sobrevivência, com um HR 0,74 (IC 95% 0,62-0,89).<sup>6</sup> Esta observação é particularmente relevante considerando que o tempo necessário para o processamento de um estudo molecular do tipo NGS comumente atinge 2 a 3 semanas.<br>Confrontadas essas informações, temos uma ideia mais realista da importância da agilidade no diagnóstico clínico e molecular, estadiamento e tratamento dos nossos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E para os doentes?</strong><br>O tempo e a qualidade de vida assumem importância cimeira nas prioridades dos doentes, e é preciso aproveitar, sempre que possível, as alegrias que a vida proporciona. Nesta época de sol, é importante recomendar aos doentes, principalmente sob tratamento oncológico, cautela na exposição, já que os tratamentos com radioterapia e quimioterapia podem aumentar o risco de queimaduras solares e outros problemas na pele, com maior dificuldade na sua recuperação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Associação Europeia de Dermatovenereologia desaconselha os banhos de sol e sessões de bronzeamento. É possível ir à praia, mas aconselham-se os seguintes cuidados, principalmente para os doentes sob tratamento oncológico:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Evitar a exposição solar entre as 10h e as 16h, quando a radiação UV é mais intensa;</li>



<li>Usar roupa com proteção solar, chapéus e óculos de sol com proteção UV;</li>



<li>Aplicar protetor solar de largo espectro (de preferência FPS 50+) e reaplicar a cada duas horas ou após nadar/transpirar. Lembrar de proteger também os lábios, com bálsamos com proteção solar (FPS 15+).</li>



<li>Recobrir as áreas da pele submetidas a radioterapia. Caso não tenha certeza sobre as áreas afetadas, consultar o seu radio-oncologista para aconselhamento individualizado, especialmente antes de exposições prolongadas ao ar livre.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O verão é também uma ótima altura para praticar exercício ao ar livre, e pode ser a ocasião ideal para iniciar uma rotina de exercícios caso ainda não o tenha feito. É importante lembrar que o exercício, além de estar relacionado com melhoria no bem-estar e satisfação pessoal, está também relacionado a melhorias no prognóstico vital para doentes com cancro. O ex-diretor do Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA nos anos 1980, Robert Butler, simplificava: “se o exercício pudesse ser embalado num comprimido, seria o medicamento mais amplamente prescrito e benéfico do país”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E antes de mais, porque não lembrar que o calor, a vida ao ar livre e com a natureza, ou o convívio com a família e os amigos não combinam nada com o tabagismo. As florestas já queimam o suficiente em nosso país, e não precisamos contribuir mais para a poluição do ar, dos nossos pulmões, e da nossa saúde. O verão é uma excelente altura para parar de fumar (e tão boa quanto todas as outras!).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em resumo…</strong><br>A agressividade intrínseca e a complexidade diagnóstica e terapêutica do CP exigem uma abordagem de cuidados contínuos que transcende os calendários convencionais. Não pode existir uma silly season para o cancro.<br>A colaboração entre as equipas e as instituições, a partilha de recursos e a implementação de modelos de cuidados inovadores representam oportunidades para conciliar a sustentabilidade econômica dos sistemas de saúde com a exigência de cuidados oncológicos de excelência.<br>O imperativo ético e científico é claro: o cancro do pulmão não tira férias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1.Siegel, R. L., Miller, K. D., Wagle, N. S. &amp; Jemal, A. Cancer statistics, 2023. CA. Cancer J. Clin. 73, 17–48 (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.Jiang, B. et al. Lung cancer volume doubling time by computed tomography: A systematic review and meta-analysis. Eur. J. Cancer 212, 114339 (2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.Zigman Suchsland, M. et al. How Timely Is Diagnosis of Lung Cancer? Cohort Study of Individuals with Lung Cancer Presenting in Ambulatory Care in the United States. Cancers 14, 5756 (2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.Cone, E. B. et al. Assessment of Time-to-Treatment Initiation and Survival in a Cohort of Patients With Common Cancers. JAMA Netw. Open 3, e2030072 (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.Teng, J. et al. Impact of time-to-treatment initiation on survival in single primary non-small cell lung Cancer: A population-based study. Heliyon 9, e19750 (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.Tanvetyanon, T., Chen, D.-T. &amp; Gray, J. E. Timeliness of EGFR/ALK Inhibitor Treatment and Survival in Lung Cancer: A Population-Based Analysis. Clin. Lung Cancer 25, e304–e311 (2024).2.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando o sopro não basta: cinesiterapia respiratória no doente não colaborante</title>
		<link>https://mypneumologia.pt/opiniao/quando-o-sopro-nao-basta-cinesiterapia-respiratoria-no-doente-nao-colaborante/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 11:55:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mypneumologia.pt/?p=9381</guid>

					<description><![CDATA[<p>No artigo de opinião, Catarina Amaral, enfermeira especialista em Enfermagem de Reabilitação na ULS Coimbra e assistente convidada da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, aborda a limitação das práticas convencionais de cinesiterapia respiratória perante doentes com défice de colaboração, propondo uma reflexão sobre a necessidade de inovação, adaptação e ética nos cuidados. Leia o artigo de opinião.  Respirar é [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">No artigo de opinião, Catarina Amaral, enfermeira especialista em Enfermagem de Reabilitação na ULS Coimbra e assistente convidada da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, aborda a limitação das práticas convencionais de cinesiterapia respiratória perante doentes com défice de colaboração, propondo uma reflexão sobre a necessidade de inovação, adaptação e ética nos cuidados. Leia o artigo de opinião. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Respirar é vital. Um gesto automático, silencioso, mas essencial. Na prática hospitalar, a cinesiterapia respiratória é uma intervenção de rotina. Pedimos ao doente que respire fundo, que tussa, que se mobilize. Aplicamos técnicas convencionais com o pressuposto de que, com esforço e repetição, o pulmão fica limpo e o doente melhora. E, muitas vezes, isso acontece. Mas e quando o doente não consegue colaborar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos serviços de Medicina Interna, convivemos diariamente com pessoas acamadas, com pneumonia, estados confusionais, alterações do nível de consciência ou défices neurológicos muito graves. Muitos desses doentes não compreendem instruções, não coordenam movimentos, não respondem. E, ainda assim, mantêm secreções acumuladas, reflexo de tosse ineficaz, e comprometimento respiratório grave. Necessitam, mais do que ninguém, de cinesiterapia respiratória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática convencional — com exercícios ativos, técnicas de expiração forçada, treino de respiração diafragmática ou incentivo à tosse — exige colaboração ativa. Quando esta não existe, a técnica perde eficácia. Persistir nela sem adaptação pode ser, no mínimo, inócuo. No pior dos casos, pode dar uma falsa sensação de intervenção eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa, por isso, refletir, que estratégias alternativas estamos a integrar na prática clínica para responder a este perfil de doente?!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência científica já sugere caminhos: técnicas de hiperinsuflação manual, dispositivos de vibro-oscilação, posicionamentos terapêuticos direcionados, estimulação reflexa da tosse, entre outros. A inovação técnica existe, mas a sua adoção nem sempre acompanha a realidade do terreno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E porquê?! Porque muitas vezes se insiste no protocolo como se fosse dogma, porque o tempo escasseia, porque investir na diferença dá trabalho, porque há hesitação em sair da zona de conforto técnico, porque a prática ainda é, por vezes, orientada mais pelo hábito do que pela evidência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, para o doente que não consegue colaborar, as abordagens convencionais simplesmente não são suficientes. É aqui que o papel do enfermeiro especialista de reabilitação assume particular relevância. Não se trata apenas de executar técnicas, mas de as ajustar, inovar e aplicar de forma fundamentada à condição funcional da pessoa. As intervenções nestes casos, podem ser mais complexas e requerer sensibilidade clínica,<br>conhecimento profundo das alternativas e coragem para desafiar a prática instalada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É também um desafio ético. Se sabemos que determinada técnica não tem impacto clínico num doente com consciência rebaixada, será legítimo continuar a aplicá-la como se tivesse? Se sabemos que existem estratégias alternativas com melhores resultados, por que não as integramos mais sistematicamente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reabilitação respiratória precisa de evoluir, não apenas nos dispositivos, mas sobretudo na consciência crítica com que atuamos. Isso exige formação, atualização contínua e um compromisso com o que verdadeiramente beneficia a pessoa doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Respirar não é opcional! Reabilitar também não deveria ser!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="mailto:?subject=Quando%20o%20sopro%20n%C3%A3o%20basta:%20cinesiterapia%20respirat%C3%B3ria%20no%20doente%20n%C3%A3o%20colaborante&amp;body=https://www.myalergologia.pt//opini%C3%A3o/item/722-quando-o-sopro-n%C3%A3o-basta-cinesiterapia-respirat%C3%B3ria-no-doente-n%C3%A3o-colaborante.html"></a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://mypneumologia.pt/opiniao/quando-o-sopro-nao-basta-cinesiterapia-respiratoria-no-doente-nao-colaborante/">Quando o sopro não basta: cinesiterapia respiratória no doente não colaborante</a> aparece primeiro em <a href="https://mypneumologia.pt">My Pneumologia</a>.</p>
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